Os primeiros tempos do universo

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No primeiro segundo, o universo é como um grande puré composto por cinco populações de partículas elementares: , neutrões, electrões, fotões e neutrinos.Um protão e um neutrão podem combinar-se, formando o mais simples dos sistemas nucleares: o . Mas bem cedo aparece um fotão que os separa inexorávelmente.
Quando o relógio cósmico marca um segundo, a temperatura desce cerca de mil milhões de graus. Existem, por consequência, cada vez menos fotões bastante potentes para partir os deuterões que se formam continuamente. Estes duram cada vez mais tempo. O seu número aumenta. Estes deuterões lançam-se, eles também, à procura de protões e neutrões. No interior do puré aparecem sistemas nucleares compostos de três e quatro nucleões. São os núcleos de . Este período de intensa actividade nuclear tem o nome de nucleossíntese , e não terá demorado mais do que alguns minutos.
Nada mais se passará até que o universo arrefeça até alguns milhares de graus. Este interregno durará cerca de um milhão de anos. Neste momento, os protões e os electrões fazem o mesmo jogo que os protões e os neutrões durante a fase de nucleossíntese inicial. Um protão captura um e forma um . No momento da captura é emitido um fotão. Sem demora chega um novo fotão, que cinde o átomo,etc. Mas, com a descida inexorável da , os fotões bastante potentes para conseguir esta dissociação tornam-se cada vez mais raros. Os átomos são cada vez menos efémeros e a sua população cresce continuamente. A cerca de três mil graus, cada protão é revestido por um electrão e cada átomo de hélio é revestido por . O universo atingiu uma nova fase: nasceram os átomos.
E isto não é tudo. Dois átomos de hidrogénio podem juntar-se para constituir uma molécula de . É portanto quase ao mesmo tempo que os primeiros átomos que surgem as primeiras moléculas.
Com o nascimento dos átomos e das moléculas, deixam de abundar os electrões livres. Estes electrões apresentavam um sério obstáculo à passagem da luz. O universo, repentinamente, torna-se transparente: a luz percorre-o sem dificuldade. Deste momento data a radiação que nos chega hoje, vinda do fundo das idades. É constituída pelo conjunto de todos os fotões, que, graças à transparência não serão nunca reabsorvidos ( se o universo for aberto).
Este momento marca ainda outra viragem na história do universo. A matéria, que quase não tinha importância para os destinos do universo, passa para o comando. É ela que vai dominar o ritmo da expansão.

Texto elaborado a partir do livro "Um pouco mais de Azul" de Hubert Reeves, colecção Ciência aberta, Editora Gradiva